Equipe do Credesh recebe imprensa para falar sobre Hanseníase

Publicação: - 21/01/2020 - 17:23 - Última modificação 21/01/2020 - 17:23

Como parte da programação do “Janeiro Roxo” e da Semana Mundial de Luta Contra o Preconceito pela Hanseníase, a coordenadora do Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária e Hanseníase do Hospital de Clínicas (Credesh/HC-UFU), Isabela Maria Bernardes Goulart, e equipe, concederam entrevista, na manhã desta terça-feira, 21, para falar sobre a importância do diagnóstico precoce e do combate ao preconceito pela doença.

A coordenadora ressaltou que a hanseníase é causada por uma bactéria e  que o tratamento não necessita de internação hospitalar, dura em média de seis a 24 meses, é feito com antibiótico e que a primeira dose da medicação já inviabiliza a transmissão da doença. “Nesse tratamento o paciente continua na sua casa, no trabalho, na escola, sem nenhum problema para a comunidade”, explica.

O problema é quando o paciente está sem diagnóstico, a chamada prevalência oculta em que a comunidade fica exposta a doença. Segundo Goulart, muitos pacientes têm medo e escondem o diagnóstico.

Um dos maiores desafios para as equipes que trabalham com a Hanseníase é o combate ao preconceito que atrasa e atrapalha o tratamento. “O imaginário social não acompanhou a atualização científica da doença. Quando se fala em hanseníase a ideia que se tem ainda é a da lepra, uma doença segregante que tira o paciente do convívio familiar”, afirma Raphael Zardini, psicólogo do Credesh.

O psicólogo destaca o papel das equipes de saúde em acolher e apoiar os pacientes. “A equipe de saúde precisa demonstrar para o paciente que ele está seguro, que é uma doença atualizada, que não precisa temer que não vai ser curado e  que não pode conviver com outras pessoas.  Precisa trabalhar o que pode ficar de sequelas, como é o tratamento, desfazer mitos, demonstrar a rede de apoio que ele tem e trazer a família para a unidade de saúde”, esclarece.

O apoio da família é importante não só para o bem estar do paciente, mas por ser o grupo de maior risco de contagio. Goulart explica que todas as pessoas que conviveram com o paciente antes do tratamento precisam realizar exames dermato-neurológico e laboratorial.

Apesar da doença ser considerada endêmica na região, só em 2019 foram diagnosticados 210 casos, a boa notícia é que pacientes e familiares encontram tratamento gratuito nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). O Credesh/HC-UFU  é  um dos seis centros de referência do país e atende 85 municípios de  quatro Superintendências Regionais de Saúde (Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba e Patos de Minas). Atualmente, possui uma equipe multiprofissional com 41 profissionais, entre médicos (hansenólogos, dermatologistas, ortopedista, neurologista e outras especialidades), cirurgião dentista, psicólogo, assistente social, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, técnico ortesista, biólogos, técnico de laboratório, farmacêutico, enfermeiros, técnicos de enfermagem e assistentes administrativos. A unidade conta ainda com laboratório próprio - Laboratório de Patologia Molecular e Biotecnologia -  localizado no campus Umuarama.

 

Programação

 

As atividades seguem até o dia 29, com rodas de conversas nas unidades de saúde, atividades de educação em saúde em hanseníase e aula magistral sobre as "Perspectivas e Avanços Científicos da Hanseníase".

A organização do evento conta com a parceria da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia (Vigep), do Movimento de Reintegração da Pessoa Atingida pela Hanseníase (Morhan), da  Casa das Bem Aventuranças (CBA), da Sociedade Brasileira de Hanseologia  e do Instituto Aliança Contra a Hanseníase (AAL).

 

Foto: Alexandre Costa