Minas registra aumento de 648% nas mortes por síndrome respiratória aguda grave em 2020

Publicação: - 25/05/2020 - 12:47 - Última modificação 25/05/2020 - 12:48

Estudo realizado por pesquisadores da UFU alerta para possível subnotificação de casos de Covid-19 no estado

Diretoria de Comunicação da UFU: Diélen Borges

 

Em Minas Gerais, de janeiro a abril de 2020, morreram 201 pessoas cujo atestado de óbito registra como causa a Covid-19. No mesmo período, 539 pessoas faleceram no estado por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), ou seja, com sintomas semelhantes à doença provocada pelo novo coronavírus. Em comparação com os últimos anos, foi registrado um aumento de 648,61% do número de mortes por SRAG neste ano, o que pode indicar que há subnotificação de casos de Covid-19 no estado.

Esses dados foram estudados por um grupo de cientistas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), coordenados pelo professor Stefan Vilges de Oliveira, da Faculdade de Medicina (Famed/UFU). "Nós analisamos os óbitos que tenham causas com alguma compatibilidade clínica com Covid-19 e, eventualmente, estariam sendo registrados de forma errônea; por exemplo, por indisponibilidade de diagnóstico laboratorial", explica Oliveira. 

Os pesquisadores fizeram avaliação retrospectiva dos registros de óbitos, observando dados de 2017 a 2019 e comparando com os de 2020. Foi constatado aumento na frequência de mortes por causas clinicamente semelhantes à Covid-19. O crescimento foi de 648,61% das mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), 5,36% por pneumonia e 5,72% por insuficiência respiratória (IR).

O estudo mostrou, ainda, que o aumento desses casos antecedeu os registros oficiais da doença. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a primeira morte por coronavírus aconteceu em 30 de março, mas o crescimento do número de mortes por outras doenças respiratórias foi observado pelos pesquisadores da UFU já na primeira semana do mês.

 

Os dados analisados pelos cientistas da UFU estão disponíveis em bases do Ministério da Saúde, como o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), o Sistema de Informação de Agravo de Notificação (Sinan) e a plataforma Infogripe, gerenciada pela Fiocruz. Eles também colheram informações sobre óbitos no Portal de Transparência do Registro Civil.

O relato do estudo foi divulgado neste domingo (24/05), no MedRxiv, que é um servidor de pré-impressões de artigos na área de ciências da saúde, fundado pelo Cold Spring Harbor Laboratory (CSHL), uma instituição educacional e de pesquisa sem fins lucrativos, pela Universidade de Yale e pelo BMJ, um fornecedor global de conhecimento em saúde. Além do professor Oliveira, assinam o artigo os orientandos Thiago Henrique Evangelista Alves, Tafarel Andrade de Souza, Samyla de Almeida Silva e Nayani Alves Ramos, todos vinculados à UFU.