Mortes em casa por doenças respiratórias e cardiovasculares aumentam em Minas

Publicação: - 29/07/2020 - 17:13 - Última modificação 30/07/2020 - 08:17

Crescimento foi observado por pesquisadores da UFU, que compararam primeiros semestres de 2019 e 2020

 

Por Diélen Borges

 

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (Famed/UFU) comparou as mortes por doenças respiratórias e cardiovasculares ocorridas em casa e em hospitais, de 1º de janeiro a 6 de junho, nos anos de 2019 e 2020. A constatação foi de que os óbitos em casa aumentaram, enquanto nos hospitais diminuíram.

Os cientistas destacam o que acontece a partir da 12ª semana do ano, no fim de março, quando começa a crescer o número de mortes por Covid-19 no estado. As mortes domiciliares por doenças respiratórias aumentaram 32,54% e por doenças cardiovasculares, 29,27%. No mesmo período, as mortes hospitalares por doenças respiratórias diminuíram 12,42% e por doenças cardiovasculares a redução foi de 3,31%. "A partir da metade da série histórica, a gente observa uma inversão. No momento em que as mortes começam a diminuir no hospital, elas começam a aumentar nos domicílios", explica o orientador do estudo, professor Stefan Vilges de Oliveira, da Famed/UFU.

Para explicar esses dados, uma das hipóteses dos pesquisadores é o medo da população em buscar assistência médica e se infectar pela Covid-19. Outra é a suspensão de atendimentos ambulatoriais, exames e cirurgia eletivas. Mas os cientistas apontam também a proposta de manejo instituída pelo Ministério da Saúde, que prioriza a contenção da disseminação do novo coronavírus, pois o paciente com síndrome gripal leve deve ficar isolado em domicílio. "Essa medida pode estar contribuindo para o incremento de óbitos em casa", escrevem no artigo.

Os dados foram coletados no Portal da Transparência Civil, que disponibiliza informações estatísticas sobre nascimentos, casamentos e óbitos ocorridos no Brasil. Além do professor Oliveira, o estudo foi feito pelos pesquisadores Thiago Henrique Evangelista Alves, Tafarel Andrade de Souza, Samyla de Almeida Silva e Nayani Alves Ramos, todos vinculados à Famed/UFU. O artigo está disponível na Scielo Preprints.

 

 Arquivo dos pesquisadores)

Em 2019, o número de mortes por causas respiratórias foi de 1.109 domiciliares e 18.859 hospitalares; em 2020, foram 1.396 domiciliares e 18.248 hospitalares. (Foto: Arquivo dos pesquisadores)

 

 

 Arquivo dos pesquisadores)

Em 2019, o número de mortes por causas cardiovasculares foi de 1.841 domiciliares e 6.136 hospitalares; em 2020, foram 2.161 domiciliares e 6.204 hospitalares. Embora o número total de mortes hospitalares por causas cardiovasculares tenha aumentado, ele também diminui a partir do fim de março. (Foto: Arquivo dos pesquisadores)